quinta-feira, 16 de julho de 2009

Matéria enviada a Imprensa

Documentário sobre o Fluminense de Feira – os 40 anos do bicampeonato estadual

Final da década de 60. Anos de chumbo da ditadura. O AI-5 recém declarado. Prisões, torturas, censuras, exílios. E no meio disto tudo, o futebol refém dos generais. A arte brasileira a serviço da alienação, o chamado “ópio do povo”.

É nesse contexto conturbado que o Fluminense de Feira vence pela segunda vez o Campeonato Baiano. O escore foi belíssimo: em 31 partidas, conseguiu 19 vitórias, 9 empates e apenas 3 derrotas. Mas o melhor de 1969 não foi só o título. Foi a qualidade do futebol apresentado pelo escrete feirense, que até hoje habita as mais doces lembranças e ganha vida em frases e sentimentos dos torcedores, ex-jogadores e comissão técnica.

É com a preocupação de preservar esta história que os documentaristas Adson Sá, Caio Augusto, Davi Lara, Ederval Fernandes, João Daniel, Lara Chara e Murilo Deolino estão realizando o documentário “Tôro Sessenta e Nove”, no período de junho a novembro de 2009. Essa produção vai mostrar a influência do futebol para a população feirense e a repercussão de uma conquista a nível estadual de um clube do interior da Bahia, em uma época em que essa competição era a grande sensação desse esporte bretão, valorizando o contexto histórico-cultural da cidade.

Contando com o apoio da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), Faculdade de Ciências Educacionais de Valença – BA (FACE) e o Fluminense de Feira Futebol Clube, o documentário vai restaurar um pouco da história de Feira de Santana através do seu clube de futebol mais popular.

O lançamento do documentário “Tôro Sessenta e Nove” está previsto para novembro de 2009. No período acontecerá uma mesa redonda na UEFS sobre o tema, com a participação dos jogadores campeões, da diretoria atual do clube e da equipe de produção do vídeo.

Para quem quiser acompanhar o diário de produção do documentário, pode acessar o blog www.torosessentaenove.blogspot.com

OBS: Estamos à procura de arquivos da época do bicampeonato estadual para auxiliar na nossa pesquisa e utilizarmos na edição do documentário. Quem possuir fotos, vídeos, pôsteres, camisas, entre outros materiais, por favor, entre em contato com a nossa equipe através do e-mail: docfluminense@yahoo.com.br ou pelos telefones (75) 8847-5578 (Adson) ou (75) 8129-4608 (Ederval).

Abraço,

Equipe de Produção
Documentário “Tôro Sessenta e Nove”

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Mizael - O carrapato

Segue abaixo uma pequena amostra da entrevista com Mizael, o grande carrapato da zaga Taurina. Uma pessoa extremamente simpática e um ilustre ex-jogador de futebol, bi-campeão estadual (1963 e 1969) pelo Fluminense de Feira. Segundo ele mesmo disse, fazendo alusão a como Juca Dias - ex-presidente do clube nos anos 60 -, se referia aos jogadores do Flu: "eles são patrimônio do time". Mas, Mizael, o marcador, o brigador, o atleta, o velocista é mais do que isso. Ele é patrimônio de Feira.


Vídeo (amador) com parte da conversa que a
equipe teve com Mizael (30.06.09)

Autor: Adson Sá

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Visita ao ex-jogador Mizael e reunião com Marcus, diretor de marketing do Fluminense de Feira

Dois encontros essa semana foram fundamentais para o andamento do documentário.

Batemos à porta do ex-jogador Mizael, presente nos dois títulos estaduais do Fluminense (63-69), quem nos reservou uma tarde de conversa agradável, rememorando detalhes do cotidiano do clube, do espírito de Feira em relação ao Fluminense e da sua própria vida como atleta de futebol.

Lateral direito de origem, mas como fez questão de deixar claro, só não jogou de centroavante e de goleiro no Fluminense, Mizael não teve medo de nos confessar que seu trato com a bola nunca foi muito refinado. Suas qualidades estavam associadas à obediência tática, ao vigor físico (era dos poucos naquele tempo que levavam os treinos físicos à sério), à marcação implacável e à boa chegada à linha de fundo (requisitos essenciais para o futebol moderno). “Sempre fui bom de marcar, era eu que cobria as domingadas de Onça, que o técnico Miraglia depois de certo tempo começou a proibir”. Onça foi lateral esquerdo do Fluminense, que por vezes jogava de beque-central, chegado a uma domingada*.

Das medalhas que ele ganhou com o Fluminense, só restou uma, ofertada pelo governador da Bahia aos campeões de 69. Sua camisa lhe tomaram. Ele tem, no entanto, um álbum cheio de fotos da época de jogador. Fotos nos estádios, nos hotéis, nos “churrascos” pós-jogos, muitas, muitas fotos excelentes para o filme.

Nos despedimos de Mizael esperançosos com a sua contribuição para o documentário. Ele, pelo que eu senti, ficou muito feliz com a visita e com o projeto. Satisfação mútua, isso foi o melhor. Quando me despedi dele, fiz questão de olhar-lhe nos olhos e dizer-lhe, apertando a sua mão: “foi um prazer ter conhecido um bicampeão baiano”. Ele sorriu, meio embaraçado.

Depois que saímos da casa de Mizael, fomos ao encontro de Marcus, diretor de marketing do Fluminense. Eu estava um tanto ansioso, porque o projeto ficaria meio inviável se não houvesse um apoio oficializado do clube.

Minha primeira preocupação era consertar um equívoco. Me incomodava o tratamento que certos dirigentes do clube estavam dando ao projeto e à produção (Eu e Adson, sobretudo), um pouco mesmo por culpa nossa, por não termos corrigido a tempo certo estigma que nos deram.

Eles estavam pensando que o documentário não passava de um “trabalho de faculdade”. Em nossas primeiras conversas com parte da diretoria do Fluminense, ganhamos a alcunha de “alunos da UEFS” e ficamos constrangidos e calados. Sendo que Adson jamais o foi e eu, apesar de está matriculado em Letras, ainda espero minhas aulas de Economia começarem. Então quando eu e Adson nos sentamos para conversar com Marcus, a primeira coisa que eu disse foi que, apesar da UEFS já ter oficializado seu apoio através da TVU, o documentário só correspondia a um desejo inicialmente meu (depois ressuscitado por Adson), de contar a história deste bicampeonato estadual do Fluminense.

Entendido isso, nossa conversa começou a tratar de questões mais direcionadas à publicidade do projeto, à captação de recursos e às conseqüências que o documentário trará tanto para a “marca” Fluminense quanto a nós idealizadores.

Na parte da captação de recursos, ficou acordada nossa presença (minha e a de Adson) a um jantar que será promovido pelo clube à classe empresarial da cidade, dia 7 próximo, para termos a chance de conversar com eles a respeito da pertinência do projeto e da inviabilidade de fazê-lo sem apoios financeiros.

Saímos de lá satisfeitos com a recepção de Marcus ao projeto. Comentei com Adson que foi só eles nos darem uma chance, que soubemos apresentar o filme com sua devida importância. Espero que no dia 7 isto se repita.

Tiramos algumas fotos de Mizael e até fizemos alguns vídeos caseiros. Em breve disponibilizaremos aqui. Ele é uma figura.

Então, é isso. Boa noite.

*jogada característica de Domingos da Guia, que, ao desbaratar um ataque, saía driblando seus oponentes na própria defesa, com uma elegância e uma inconseqüência simplesmente geniais.

Autor: Ederval Fernandes

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Diário de Produção

Vou tentar mantê-los informados acerca dos últimos acontecimentos para a produção do documentário “Tôro Sessenta e Nove”.

Já aconteceram mais duas reuniões com a equipe da TV UEFS, explicamos o projeto para mais um tanto de gente que trabalha lá e finalmente a coordenadora assinou o ofício autorizando a utilização dos equipamentos (câmera Panasonic DVC 60, spot de luz e ilha de edição) e vai vir no pacote os técnicos de câmera e de edição. Lá também poderemos telefonar (desde que marcado com antecedência), com exceção para celulares, porque na Universidade é bloqueado.

Temos alguns empecilhos em relação ao transporte (tanto em Feira de Santana, quanto para viagens da equipe) e ao estúdio para gravação das músicas. Vamos tentar algum fornecimento – o qual a pessoa terá seu nome devidamente disposto nos créditos do doc -, ou alugado mesmo, que está até incluso no orçamento.

Eu e Eder visitamos algumas locações e coletamos informações de alguns ex-jogadores. Realmente foram muito úteis, principalmente quando conversamos com Delorme (craque do Fluminense em 69). Ele nos falou tudo que pôde, tanto no que diz respeito à vida pessoal, quanto administrativa e esportiva. Está disponível e não fez nenhuma ressalva para ser filmado. Alguns ex-jogadores não encontramos, mas estamos atrás e não vai ser difícil contatá-los. As locações estão muito boas também. Estádio, praça próxima ao estádio, bar do fluminense.

Para o setor de captação de recursos, estamos esperando uma reunião marcada com a equipe do marketing do Fluminense que nos garantiu que ia conseguir algumas empresas para fechar parcerias. Da última vez ele não pode ir para a reunião conosco, porém estamos agilizando essa parte. E esse encontro será muito importante, pois, o Fluminense vai assinar o ofício autorizando-nos a entrar no estádio, vestiário, acompanhar os jogadores, treinos, nos dando toda a liberdade possível para produzir o doc.

Eder já está agilizando bem a parte de pesquisas em jornais, mas temos que ter mais coisas. Conseguimos também uma entrevista que João Durval deu para um programa de rádio local falando sobre o Fluminense de Feira, já que nos anos 60 ele foi prefeito da cidade e também presidente do clube.

Abraço em todos

Autor: Adson Sá

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Delorme - O Gerson da Bahia

Craque de bola, como poucos já vistos nesse Estado, Delorme jogou por 5 anos no Fluminense de Feira (1968 - 1972). No bi-campeonato estadual de 69, dos 21 gols feitos pelo artilheiro Freitas, 90% dos passes foi do, considerado por muitos, "Gerson da Bahia". Canhoto, com visão de jogo aprimorada e jogando de cabeça erguida, Delorme comandava o meio de campo, enfiando seus lançamentos de "50 jardas", junto com Merrinho, o grande guardião da zaga taurina.

Encontramos agora, 40 anos após o título, o burocrata Delorme, trabalhando para a Prefeitura de Feira de Santana na Secretaria de Desenvolvimento Social. Ainda possui porte de jogador e tem características bem próximas do craque Gerson, que comandou outro time tricolor homônimo do Touro do Sertão, o Fluminense do Rio de Janeiro. Ele nos deu muitas informações da época do bi, no que diz repeito à relação pessoal dos jogadores, a questão administrativa e esportiva do grande time do Flu, que também tinha um apelido sugestivo: o "Santos da Bahia" (sim, aquele com Pelé, Edu, Carlos Alberto Torres, Clodoaldo, Alcindo, Marinho Perez...).


Vídeo (amador) com parte da conversa que a
equipe teve com Delorme (18.06.09)

Autor: Adson Sá